O Grande Oriente de Pernambuco

A Maçonaria pernambucana floresceu em finais do século XVIII, com o advento de da chegada em nossas terras, ainda coloniais, das ideias revolucionárias do iluminismo que florescera na França e que já se propagara por toda a Europa e América do Norte, influenciando e promovendo as chamadas Revoluções Burguesas.


Pernambuco, na segunda metade do século XIX já eram 15 lojas maçônicas em funcionamento e em plena atividade social. Estas lojas eram ligadas ao Grande oriente do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, no Vale do Lavradio, e representado em terras pernambucanas por um Delegado do Grão Mestre Geral da Ordem. Foram grandes Delegados do grão mestrado os valorosos Sigismundo Gonçalves, José Ignácio Ávila e Mário Castro. No final da primeira década do século XX, por dissidências com o Grande Oriente do Brasil, os maçons pernambucanos se organizaram no Grande Oriente e Supremo Conselho para o Norte do Brasil, de forma independente.


Na década de 1920, grandes agitações políticas no governo central da Ordem no Rio de Janeiro, vieram a provocar uma grande cisão histórica que teria seu ápice em 1927, com o surgimento das Grandes Lojas Estaduais, independentes e autônomas. Nesse contexto, destacaram-se importantes maçons pernambucanos como Mário Melo, Zeferino Gonçalves Agra, Nilo Dornellas Câmara entre outros. A maçonaria pernambucana decidiu uma das importantes páginas de sua história numa reunião na noite do dia 02 de dezembro de 1926, no templo da Augusta e Respeitável Loja Capitular Segredo e Amor da Ordem, na rua da Aurora, como anunciou o Jornal do Recife: 


“MAÇONARIA: Terá lugar hoje, às 19 horas, no Templo do Segredo e Amor da Ordem, uma sessão extraordinária do Comitê Maçônico para deliberação de assumptos urgentes. Convidamos os Veneráveis das Lojas, representantes e maçons regulares.”


Os maçons pernambucanos decidiram refazer a aliança com o Grande Oriente do Brasil, e pela fundação do Grande Oriente de Pernambuco, obediência estadual que passaria a representar as lojas maçônicas em Pernambuco federadas ao oriente nacional. Importante papel nesse processo tiveram o Soberano Grão Mestre Octávio Kelly (Grande Oriente do Brasil), o Grão Mestre Zeferino Gonçalves Agra (Grande Oriente e Supremo Conselho para o Norte do Brasil) e seu lugar tenente e Grão Mestre Adjunto Nylo Dornellas Câmara. Estes celebraram o acordo de aliança fraternal e indissolúvel como Grande Oriente do Brasil, ratificando a posição dos maçons pernambucanos na luta pela união da Ordem. Em 2016, esta grandiosa história do Grande Oriente de Pernambuco e suas mais de 80 lojas maçônicas espalhadas por todo o território estadual, algumas das quais mais que centenárias, com um legado de quase 200 anos de promoção dos valores sociais da Ordem Maçônica em Pernambuco, chega aos seus 90 anos. 


O Grande Oriente de Pernambuco e seus quadros se sentem orgulhosos de sua história e de seu papel junto à sociedade pernambucana e pelo legado que construíram ao longo destes anos, sempre primando pelo crescimento e engrandecimento do povo pernambucano, por sua participação em todos os momentos mais decisivos e marcantes de nossa história, pelos grande e valorosos quadros da pernambucanidade que já fizeram e fazem parte de suas hostes e pela defesa sempre incontinente que primou dos ideais da democracia e da liberdade, sempre que foi exigido. Como legado eterno na paisagem do Recife e de várias cidades do Estado, deixou a maçonaria as suas lojas centenárias e toda a sua tradição, bem como a tremular em prédios públicos o símbolo maior da “pátria pernambucana”, a sua bandeira, inspirada e idealizada pelos maçons revolucionários de 1817.


O ano em curso é de grandes comemorações e de homenagens eternas aos grandes vultos da magnífica história da maçonaria pernambucana que ajudaram a construir esse ideário de amor à pátria, à cidadania e culto à democracia.

Texto do Irmão SERGIO ARAUJO FERNANDES DA SILVA.

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